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quinta-feira, 23 de maio de 2013

EUA na América Latina: um longo histórico intervencionista


ShareO desenvolvimento da situação internacional está marcado por ações de guerra e impregnado de novas ameaças. Não faz muito tempo, sob o pretexto de impedir um país de utilizar armas de destruição em massa, ao arrepio do direito internacional e a despeito de não ter autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os Estados Unidos iniciaram uma guerra de ocupação que, logo se viu, tinha objetivos distintos dos proclamados.As próprias forças de ocupação acabaram admitindo que o Iraque não possuía armas de destruição em massa. Na Ásia Central, a pretexto de caçar terroristas e de impedir que uma força fundamentalista retorne ao poder, prossegue outra guerra, que cobra alto preço em termos de vidas humanas e bens materiais. Na Palestina, um país possuidor de armas nucleares, embora não o admita, submete o povo a inominável martírio.No Líbano, durante os bombardeios da aviação israelense, há três anos e meio, a então secretária de Estado da potência aliada de Israel declarava que estavam a se fazer sentir “as dores do parto do novo Oriente Médio”. Hoje a humanidade escuta frases de efeito sobre a paz e o desarmamento, mas até agora os anúncios de um mundo sem guerras e sem armas nucleares são peças de retórica ou a manifestação de um vago ideal. Na prática ainda prevalecem as chantagens e as ameaças, o que nos impõe o dever da vigilância e da luta.O desenvolvimento da situação na América Latina também é hoje uma das preocupações centrais do movimento pela paz e das organizações de solidariedade internacional, como o CMP. Há dois anos, foi reativada Quarta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos para os mares da América Latina e Caribe.Já é colossal a presença militar norte-americana na região. Com a Quarta Frota, essa presença aumenta significativamente. Em primeiro lugar, destaca-se a existência de bases militares: sete bases militares foram recentemente instaladas na Colômbia, uma decisão que provocou instabilidade e crises políticas, agravando os problemas envolvendo a própria Colômbia, a Venezuela e o Equador. Iquitos (Peru), Rainha Beatriz (Aruba), Hato (Curaçao), Comalpa (El Salvador), Guantânamo (Cuba), Soto Cano (Honduras) e as novas bases no Panamá são outras instalações militares estadunidenses na região.Agregue-se a isto que já foram anunciados planos para reabrir a base de Vieques, em Porto Rico, fechada em 2004 depois de uma luta heróica do movimento independentista, e para abrir uma base na Terra do Fogo, na Argentina. São também intensas as pressões no sentido de transformar o aeroporto militar de Marechal Estigarribia, no Paraguai, numa base aérea militar. E recorde-se que não faz muito tempo, nos anos 1990, houve tentativas de transformar a base de lançamento de satélites do Brasil, em Alcântara, no Maranhão, numa base militar encravada em território brasileiro.Além das bases, os Estados Unidos exercem sua presença militar através dos exercícios Cabanas, Aguila, Unitas, Céu Central, Novos Horizontes e outras. É motivo de preocupação também para o movimento pela paz a militarização das Ilhas Malvinas, pela Grã Bretanha, assim como a tendência a renovar acordos militares entre governos, do que é exemplo nefasto a assinatura de um acordo militar entre os Estados Unidos e o Brasil, em abril último.A existência da Quarta Frota guarda relação direta com o novo quadro político na América Latina, que desde a primeira eleição do presidente Hugo Chávez, em 1998 e do presidente Lula, em 2002, transformou-se num “continente rebelde”, onde se processa a ascensão de forças democráticas e progressistas aos governos nacionais de vários países. De norte a sul da América Latina, vigoram governos democráticos e populares.Na Venezuela está em curso uma revolução de caráter popular e patriótico, que proclama o socialismo como meta. Cuba segue resistindo, desafiando e derrotando desígnios imperialistas. Na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, estão em curso processos políticos que tendem a consolidar as novas experiências de governos populares. No Brasil, no Paraguai, no Uruguai, na Argentina, em El Salvador, forças progressistas seguem em frente e avançam no sentido de afiançar a luta pela ampliação e aprofundamento da democracia, por soberania nacional e justiça social.
A militarização da região pelos Estados Unidos tem objetivo claro: conter os avanços dos países e povos do continente na conquista de democracia, soberania nacional e progresso social, o controle das fontes de recursos naturais, como a biodiversidade da Amazônia, as fontes de água, como o aquífero guarani, as grandes jazidas minerais e o petróleo. Tudo isso somado com o controle dos mercados e da geopolítica regional.O intervencionismo é um traço permanente na política dos Estados Unidos em relação à América Latina desde finais do século 19 até os nossos dias. Do intervencionismo duro da época do “big stick” de Theodore Roosevelt, passou-se a um período em que, embora tenham diminuído as intervenções diretas, as grandes empresas adquiriram um predomínio decisivo sobre o Departamento de Estado.O século 20 conheceu também a “diplomacia missioneira”, de Woodrow Wilson, a formação do sistema panamericano, a “diplomacia do dólar”, a política da “boa vizinhança”, implementada por Franklin Delano Roosevelt, a “doutrina de segurança nacional” na segunda metade do século 20 e finalmente, com o pós-Guerra Fria, a política da “segurança hemisférica”. Todas essas políticas e fases tinham um denominador comum — o intervencionismo, a tutela e a submissão da América Latina e do Caribe aos interesses estratégicos do imperialismo estadunidense — e nenhuma delas excluía em princípio a opção militar.As primeiras vítimas do intervencionismo militarista estadunidense na América Latina e Caribe foram Cuba e Porto Rico, sob o pretexto de lutar contra a Espanha, no ocaso da época colonial. Outro alvo precoce do intervencionismo norte-americano foi o Panamá, em 1903. Os marines norte-americanos ingressaram em território panamenho em diferentes ocasiões no início do século 20 — 1917, 1918 e 1925. Mais recentemente, em 1989, invadiram outra vez o país. Entre 1915 e 1934 os Estados Unidos enviaram seus marines ao Haiti.A vizinha República Dominicana, que compartilha a mesma ilha com o Haiti, foi outro país caribenho a sofrer a intervenção militar dos Estados Unidos, que ali permaneceram entre 1916 e 1924. A partir de 1930, os Estados Unidos patrocinaram uma das ditaduras mais cruéis, duradouras e corruptas ditaduras do século 20 na América Latina. De 1912 a 1926 milhares de marines ocuparam a Nicarágua, contra os quais lutou Augusto Cesar Sandino, o “general de homens livres”.O México, que teve boa parte do seu território roubado durante o processo de formação e expansão territorial dos Estados Unidos da América ao longo do século 19, também sofreu múltiplas intervenções dos Estados Unidos entre a primeira e a segunda décadas do século 20.O pós-Segunda Guerra Mundial é um período em que os Estados Unidos voltam a intervir na América Latina e no Caribe para impor-se como potência dominante. Em 1947, em aliança com setores entreguistas das Forças Armadas, derrubam o governo venezuelano de Rômulo Gallegos. Em 1954, reagem à eleição de Jacobo Arbenz na Guatemala com um golpe de Estado. Em 1961 invadem Cuba, sendo rechaçados pelos revolucionários comandados por Fidel em Playa Girón. Em 1965, invadem a República Dominicana contando com o apoio da ditadura militar brasileira.Entre 1964 e meados dos anos 1980, a começar pelo golpe militar no Brasil, os Estados Unidos fomentam, apoiam e financiam golpes de Estado e ditaduras cruéis como a de Pinochet, no Chile, e as dos generais fascistas argentinos, uruguaios e brasileiros. Nesse período têm lugar também as guerras contra-revolucionárias na América Central e a invasão de Granada em 1983.Este histórico de intervenções indica a permanência do intervencionismo estadunidense na América Latina, que ganha novos contornos no atual momento, com a Quarta Frota e as bases militares. Contra isso, vale dizer, não só o movimento pela paz — mas o conjunto das entidades sociais — precisa manter-se em alerta e resistência.
* Socorro Gomes é presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP) e do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)Texto baseado no discurso proferido por Socorro Gomes, em 30 de abril, em Nova York, durante a Conferência sobre a Luta contra a Violência Global do Imperialismo=C

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